Depoimentos
Ruth Maria A. de F. Godói- Trabalha na Casa do Sol há 15 anos, é coordenadora pedagógica da entidade, tem formação em psicologia pela PUC de São Paulo e especialização em terapia social e educação terapêutica realizada na Holanda.
Na Casa do Sol aprendi muito! Os alunos nos dão lições de vida e nesses anos todos percebi que força e que luz eles nos trazem!
As técnicas são necessárias mas elas só funcionam se tivermos a capacidade de LER no aluno o que ele necessita.
A auto educação também é o que nos possibilita o sucesso de nosso trabalho com essas pessoas tão especiais.
A Pedagogia waldorf nos oferece uma riqueza enorme de recursos.
Na Casa do Sol atendemos alunos que não conseguiram se inserir nas escolas regulares e também ,em sua maioria ,os que apresentam serias dificuldades físicas e de desenvolvimento.
Quando ainda estava na faculdade, li uma reportagem que falava sobre o trabalho com pessoas deficientes. Nesse artigo havia uma foto de uma mulher junto de um menino e abaixo dizia: “só o que é necessário é o amor”.
Essa imagem e essa frase nunca me saíram da cabeça e considerando minha trajetória toda, vejo que esse foi afinal meu principal impulso para fazer o que faço”.
Andréa Philadélphi - Trabalha na Casa do Sol há sete anos, é fonaudióloga formada pela USP/SP, pedagoga curativa e professora na Casa Sol com classe na faixa etária dos nove aos 12 anos.
"Na Casa do Sol comecei atuando como terapeuta fonaudióloga, duas vezes por semana.
Compreendi, no entanto que a terapia convencional apenas não oferecia o resultado que pretendia, por isso fiz a opção profissional de tornar-me professora para uma atuação diária com os alunos, o que tornou minha ação muito mais efetiva.
Nas aulas, desenvolvo os conteúdos me utilizando de todas as possibilidades e de todas as percepções dos alunos.
Para ensinar o conceito de reta, por exemplo, primeiro trago uma história com o tema, depois estimulo a percepção tátil da reta: a reta acordada é sentida num ângulo da parede, já a reta dormindo é o desenho na lousa.
Em seguida os alunos andam sobre uma reta desenhada no chão, depois a forma é desenhada no corpo deles e assim por diante, até que o conhecimento seja absorvido não somente pelo cognitivo, mas por todos os sentidos, o que estimula o aprendizado coletivo, inclusive daqueles que tem deficiências sensoriais.
Sinto que com esse trabalho tenho a possibilidade real de interferir no destino desses alunos".
Cláudia Ota- Trabalha na Casa do Sol há quatro anos, é terapeuta artística, formada pela Escola Sagres de Florianópolis, foi professora universitária e é doutora em arquitetura pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo.
"A terapia artística é muito útil mesmo quando a expressão verbal do aluno é ou está comprometida porque a linguagem artística é reveladora, entra no mundo dos sentimentos.
Além disso, como se trabalha com o ato da vontade, isto é, o aluno escolhe dentre as possibilidades artísticas a que mais lhe atrai, a terapia harmoniza os três sentidos: o pensar, o sentir e o querer.
Dentre outros benefícios, a terapia artística auxilia em casos de agressividade e acessa conteúdos de maneira não verbal que assim podem ser trabalhados de forma multidisciplinar".
Flávia Takase - trabalha na Casa do Sol há 3 anos, é massagista rítmica, formada em estética, acupuntura, deslizamento rítmico e tem especialização antroposófica pela Instituição Monte Azul.
"A massagem rítmica tem como objetivos principais harmonizar as energias do corpo.
A qualidade de vida também melhora muito com as massagens, como por exemplo, contribuindo para o aluno dormir melhor e auxiliando na capacidade motora.
O relaxamento proporcionado pelos deslizamentos apóia as outras atividades, uma vez que o aluno torna-se mais equilibrado e assim participa mais das aulas e em outras atividades com seus pares tendo um rendimento maior".
Gabriela Correia de Almeida e Silva - Trabalha na Casa do Sol há seis anos, é fisioterapeuta com mestrado pela USP/SP e especialista em equipamento motor.
"O meu trabalho na Casa do Sol me mostrou que é preciso desafiar condições pré-estabelecidas.
O caso da Giulia Cascino Carreiro (aluna da Casa do Sol há quatro anos) é uma demonstração clara dessa necessidade de desafiar alguns prognósticos.
Essa aluna chegou contida na cadeira de rodas, sem conseguir nem firmar o tronco. Após um ano e meio de trabalho, a Giulia adquiriu controle cervical e de tronco na posição sentada e consegue caminhar com auxílio e isso é um marco na trajetória dela na Casa do Sol.
Entendo que o melhor resultado é alcançado quando não subjulga-se o aluno e não fragmenta-se o trabalho.
Eu nunca vejo a situação isolada de uma cervical ou de um pé plano, mas vejo um ser humano completo com todas as suas partes e dimensões integradas.
O que me auxilia muito são as ações multidisciplinares, nas reuniões cada profissional traz sua visão, mas orientados para um mesmo objetivo: contribuir para a independência e a qualidade de vida do aluno em todos os aspectos".
Maria de Fátima da Silva, mãe do André Máximo Lorena que está na Casa do Sol há cinco anos.
"A Casa do Sol foi à primeira escola especializada que não me "fechou as portas", todas as escolas que procurei antes eram pagas e eu não tinha como pagar.
Fiquei anos procurando um lugar em que ele pudesse se desenvolver até chegar aqui onde conseguiram uma bolsa para ele.
Aqui é tudo limpo, novinho, a comida é boa, as pessoas gostam dele, o tratam bem, com carinho.
Ele gosta demais da escola, dos amigos, sente falta quando não vem.
Foi aqui que ele aprendeu a falar e a escrever, hoje ele escreve e lê muito bem".